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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Desmascarando a "profeta" dos Adventistas

AS HERESIAS DE  ELLEN G WHITE


Tenho o mesmo pensamento do erudito Hank Hanegraaff a respeito do adventismo do sétimo dia: “o adventismo do sétimo dia é multifacetado”
(O Livro das Respostas Bíblicas, CPAD, p.379). 

Não generalizo; reconheço que há adventistas ortodoxos, que aceitam os princípios da fé cristã histórica, e liberais, que contradizem a encarnação do Verbo, a ressurreição corpórea e a infalibilidade das Escrituras.

A própria Sra. White afirma o seguinte sobre seus escritos: “Ai de quem mover um bloco ou mexer num alfinete dessas mensagens. A verdadeira compreensão dessas mensagens é de vital importância. Os destinos das almas dependem da maneira em que são elas recebidas”
(White, Primeiros Escritos, Editora Casa Publicadora. Tatuí – SP; 1995 – pág. 258, 259).


O periódico da Igreja, A Revista Adventista, declara sem nenhum peso de consciência: “Negamos que a qualidade ou grau de inspiração dos escritos de Ellen White sejam diferentes dos encontrados nas Escrituras Sagradas”
( Revista Adventista, fevereiro de 1984; Ed. Casa Publicadora; Tatuí – SP. – pág. 37).


O QUE DIZ A BÍBLIA: - I Co 3.10-11 - "Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo”
I Co 4.6 - “por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito…”

Sobre a Volta de Jesus:

“… alguns estarão vivos e permanecerão na Terra para serem trasladados por ocasião da vinda de Jesus”. (EG White, O Testemunho de Jesus; Casa Publicadora; Tatuí – SP, p. 108). Essa profecia foi feita numa reunião de manhã cedo, em Battle Greek, Michigan, em 1856. Se diminuirmos 1856 de 2013, teremos, como resultado, 157 anos. 

Porventura existe alguém vivo daquela reunião aguardando a volta de Cristo? Para justificar o erro profético dela, seus defensores se explicam dizendo: “É-nos dito pela mensageira do Senhor que se a igreja remanescente houvesse seguido o plano de Deus em fazer a obra que lhe indicara, o dia do Senhor teria vindo antes disto, e os fiéis teriam sido recolhidos ao reino.”(Idem, p. 110) É incrível como possam ser tão fanáticas certas pessoas a ponto de justificar um fracasso profético tão evidente no intuito de defender sua profetisa.

Mas o pior segmento do adventismo é o sabadólatria, que, além de se especializar em doutrinas extravagantes, como o sono da alma, confere status de profetisa a Ellen G. White (1827-1915) e propaga as suas teses sabadolátricas, inclusive em programas de televisão.

Nas obras da eminente adventista mencionada há muitas invencionices acerca da guarda do sábado. Ela chega a considerar a observância do sábado necessária para confirmar a salvação dos que creem em Jesus Cristo! A sabadolatria, sem dúvida, é a maior heresia do adventismo do sétimo dia, a qual vem sendo muito propagada mediante certo programa de televisão.


Ellen G. White afirmou, em sua obra mais famosa, que a desobediência ao quarto mandamento do Decálogo é a causa de existirem tantos pecadores no mundo: “Tivesse sido o sábado universalmente guardado, os pensamentos e afeições dos homens teriam sido dirigidos ao Criador como objeto de reverência e culto, jamais tendo havido idólatra, ateu, ou incrédulo” (O Grande Conflito, Casa Publicadora Brasileira, p.436). 


Então, por que a Bíblia não diz, em 2 Coríntios 5.17: “Quem guarda o sábado nova criatura é”? O que liberta o ser humano do poder do pecado e lhe outorga uma nova vida é o estar em Cristo (2 Co 5.17), e não a guarda do sábado.

Em outra obra, Patriarcas e Profetas, a senhora White asseverou: “o sábado é um sinal do poder de Cristo para nos fazer santos. E é dado a todos quantos Cristo santifica. Como sinal de Seu poder santificador, o sábado é dado a todos quantos, por meio de Cristo, se tornam parte do Israel de Deus” (citado no Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia, Casa Publicadora Brasileira, p.591). 


Nesse caso, os cristãos que não guardam o sábado não podem ser verdadeiramente santos? Não são mais o sangue de Jesus, a Palavra de Deus e o Espírito Santo que nos santificam?

Outra invencionice sabadolátrica da senhora White diz respeito ao ministério terreno do Senhor Jesus: “Cristo, durante Seu ministério terrestre, deu ênfase aos imperiosos reclamos do sábado; em todo o Seu ensino Ele mostrou reverência pela instituição que Ele mesmo dera” (idem, p.590). 


A bem da verdade, o Senhor Jesus nunca ensinou a guarda do sábado! No Sermão da Montanha (Mt 5-7) nada foi dito a respeito da guarda do sábado. E olha que o Senhor aludiu ao Decálogo várias vezes! Ele só falou do sábado quando foi confrontado pelos fariseus (Mt 12.1-14).

Jesus disse que os verdadeiros adoradores adoram o Pai em espírito e em verdade (Jo 4.23,24). Mas a senhora White acrescentou: “os adoradores de Deus se distinguirão especialmente pelo respeito ao quarto mandamento — dado o fato de ser este o sinal de Seu poder criador, e testemunha de Seu direito à reverência e homenagem do homem” (O Grande Conflito, p.445).


Aliás, Ellen G. White, em sua tentativa de sacralizar ou endeusar o sábado, acrescentou várias palavras à revelação divina contida em Gênesis: “O sábado foi confiado a Adão, pai e representante de toda a família humana. [...] A instituição do sábado, que se originou no Éden, é tão antiga como o próprio mundo. Foi observado por todos os patriarcas, desde a criação”(Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia, p.589). 


Ela também disse:“o sábado foi guardado por Adão em sua inocência no santo Éden; por Adão, depois de caído mas arrependido, quando expulso de sua feliz morada. Foi guardado por todos os patriarcas, desde Abel até o justo Noé, até Abraão, Jacó” (O Grande Conflito, p.453).

Onde está escrito, em Gênesis, que Adão, Enoque, Noé, Abraão, Isaque e Jacó guardaram o sábado? Quando Deus ordenou que Adão e seus descendentes deveriam guardar o sábado? Em Gênesis 2.1-3 está escrito que o Senhor, após ter concluído a obra da Criação, abençoou e santificou o sétimo dia. Mas isso não significa que Ele instituiu, ali, um mandamento eterno para toda a humanidade. Isso é uma grande invencionice da “profetisa” Ellen G. White, dos pregadores e telepregadores da sabadolatria.


A senhora White afirmou que, ao ser proclamada a lei, no Sinai, “as primeiras palavras do quarto mandamento foram: ‘Lembra-te do dia do sábado, para o santificar’ (Êx 20:8), mostrando que o sábado não foi instituído ali; aponta-se-nos a sua origem na criação” (Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia, p.589). 


Ora, a instituição da guarda do sábado para os israelitas ocorreu após a saída do Egito — e, por isso, é mencionada em Êxodo 16 —, antes, portanto, do Sinai. Daí o Senhor ter dito: “Lembra-te”. Mais uma vez a senhora White, valendo-se da eisegese, falsifica a Palavra de Deus (cf. 2 Co 2.17).

Segundo a Bíblia, a instituição da guarda do sábado ocorreu após a saída do povo de Israel do Egito: “E ele [Moisés] disse-lhes [aos israelitas]: Isto é o que o SENHOR tem dito: Amanhã é repouso, o santo sábado do SENHOR” (Êx 16.23). Aqui, vemos a primeira menção, no Pentateuco, à guarda do sábado. O mandamento da guarda do sábado está, claramente, ligado à libertação do Egito (Dt 5.15).


Segue-se que a guarda do sábado foi dada exclusivamente a Israel e os estrangeiros que habitassem em sua terra (Êx 20.1,2,8; 31.13; Is 56). O fato de o Criador ter santificado e abençoado o sábado após a Criação não denota que Ele tenha ordenado que o sétimo dia, a partir daquele momento, deveria ser guardado por Adão e sua descendência. A única ordenança de Deus para o homem, em Gênesis 2, foi esta: “De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (vv.16,17).


Finalmente, a “profetisa” Ellen G. White disse, com base em Apocalipse 11.19, que os dez mandamentos estão guardados dentro da arca, no Céu, e que a guarda do sábado jamais foi abolida. E acrescenta: “Não puderam achar nas Escrituras prova alguma de que o quarto mandamento tivesse sido abolido, ou de que o sábado fora mudado” (O Grande Conflito, p.433). 


Ora, o Decálogo faz parte da lei mosaica. E esta foi, sim, abolida, após a manifestação em carne do Senhor Jesus e sua obra expiatória (Jo 1.14-17; Lc 16.16; Rm 10.4; Cl 2.14-16).

Que Deus nos guarde da sabadolatria e de todas as formas de idolatria (Gl 5.20; 1 Co 5.11; 10.7,14; 1 Jo 5.21). E que observemos o primeiro e grande mandamento apresentado pelo Senhor Jesus: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento” (Mt 22.37).

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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Papa Alexandre VI e os crimes da Igreja Católica

Como o Papa Alexandre VI e a família Bórgia dominou a Igreja Católica - e impôs violência e devassidão a Roma

A família Bórgia tomou o controle da Igreja com muita violência

O momento político para os Bórgia era conturbado. Inimigos ameaçavam a soberania da família à frente da Igreja Católica e dos reinos por ela comandados. César Bórgia, espécie de líder da guerrilha papal, colocava em prática uma de suas habilidades preferidas: prender e assassinar adversários. Rodrigo Bórgia, àquela altura o papa Alexandre VI (outro que costumava eliminar quem se opunha ao seu poder), optou por também agir. Prendeu o rival, o cardeal Orsini, nas sombrias, isoladas e precárias masmorras do Castelo de Sant’Angelo, imponente construção erguida às margens do Rio Tibre.
Era para o Sant’Angelo que Alexandre VI se retirava nos momentos introspectivos. Era a partir de lá que começaria a acertar suas contas com Orsini. Deixou o cardeal preso até que definhasse e morresse. Depois, confiscou seus bens, prendeu alguns familiares e despejou outros. Em seguida, mandou César assassinar dois sobrinhos do inimigo. Com isso, a família Bórgia se reafirmava como a grande força daquelas regiões que mais tarde seriam transformadas num único país, a Itália, bem como de outras áreas católicas, como a Espanha e a França. 

Abençoado, Alexandre VI, o santo homem, o papa, nem sequer se dava ao trabalho limpar o sangue sempre quente que escorria pelas suas mãos antes de se deitar – não para dormir, mas, provavelmente, para se divertir com alguma mulher.
Espanha em Roma
A família Bórgia chegou ao cargo máximo da Igreja após a Espanha ganhar importância dentro do cenário político e econômico europeu, principalmente por causa das grandes navegações. O papa – um posto, então, essencialmente político – era escolhido de acordo com os interesses das famílias mais poderosas de cada região, e chegara a hora de um espanhol poder jogar conforme os interesses de seus conterrâneos.
Após a morte do papa Nicolau V, o cardeal Afonso Borja, de 76 anos, assumiu como papa Calisto III. “A chegada dos Borja, que passariam a se chamar Bórgia, é a entrada da própria Espanha no Vaticano”, diz Oscar Luiz Brisolara, mestre e doutor em linguística, professor de língua e cultura latina na Universidade Federal do Rio Grande e autor de Sancta Lucrezia dei Cattanei, obra de ficção sobre Lucrécia, peça-chave na família Bórgia.
Calisto III ficou pouco mais de três anos no poder, de 1455 a 1458. Durante o mandato, fortaleceu o nome de sua família nos reinos católicos e, mais importante, colocou parentes em alguns cargos importantes. Entre eles estava seu sobrinho Rodrigo Bórgia, que, aos 27 anos, já era um dos cardeais mais influentes de Roma – ele foi o responsável pela introdução da Inquisição na Espanha em seus tempos de cardeal em Valência, que levou a julgamento mais de 13 mil judeus convertidos entre 1480 e 1492.
“Em uma época em que cada família importante tinha um cardeal, principalmente para negociar impostos e fazer articulações políticas, Calisto III colocou Rodrigo no posto de cardeal e secretário do Estado. Ele fazia a administração financeira, mantinha relações com outros reinos e países e defendia os interesses da Espanha”, afirma Brisolara.
Vaga no céu
A habilidade política de Rodrigo foi fundamental para que Pio II sucedesse seu tio. A Igreja ainda passou pelas mãos de Paulo II, Sisto IV e Inocêncio VIII antes de, finalmente, em 1492, o próprio Rodrigo Bórgia tornar-se o sumo pontífice. No posto, seria um dos principais responsáveis por transformar os Bórgia em uma das famílias mais famosas e temidas de todos os tempos. Como Alexandre VI, intensificou o nepotismo e nomeou familiares para dezenas de cargos próximos e importantes. 

Agindo como dono de toda a fortuna e propriedades da Igreja Católica, distribuía terras e dinheiro. Para seu filho Pedro (sim, filho, mesmo em uma época em que o celibato já era exigência da Igreja) comprou o ducado de Gandía, na Espanha. Também construiu um enorme palácio repleto de símbolos de ostentação em frente à Santa Sé para que tivesse uma residência à altura de seu poder. Apesar das fontes de receita da Igreja serem diversas e muito rentáveis, logo precisaram ser ampliadas para que seus gastos fossem cobertos. As vendas de indulgências dispararam – jamais foi tão fácil comprar uma vaga no céu.
“Alexandre VI passou a tratar os territórios pontifícios como sendo dos Bórgia, isso causou um choque com outras famílias poderosas. Ele também fez um uso muito grande da simonia, a venda dos cargos eclesiásticos. Nenhum cardeal foi nomeado sem ter comprado o posto. Esse dinheiro ajudava na contratação deexércitos mercenários, usados para incrementar ameaças com poderio militar, algo fundamental para se tecer a diplomacia”, diz Rui Luis Rodrigues, especialista em história moderna e professor da Unicamp.
Antes mesmo de assumir o papado, Rodrigo começou a demonstrar sua força e dar indícios de como seria seu mandato. Durante o conclave que o elegeu, Roma vivia um período de extrema violência – os assassinatos chegavam à casa das centenas. Assim que foi eleito, resolveu dar uma resposta à situação. Mandou identificar os bandidos, ordenou a destruição de suas casas e que fossem enforcados no lugar em que moravam, para ficarem expostos e servir de exemplo para a população. No dia 26 de agosto, quando foi nomeado papa, tinha a cidade em paz e aos seus pés.
O tratamento dado aos assassinos seria muito parecido ao dispensado àqueles que tentavam se opor à família Bórgia. Se alguém se colocasse no meio dos interesses políticos, não havia pudor em matá-lo. Uma das práticas mais comuns era o envenenamento – normalmente uma substância letal colocada na comida ou na bebida do inimigo. 

Com a desculpa de proteger os cristãos dos muçulmanos, Alexandre VI criou a Santa Liga, um exército do cristianismo, e nomeou Giovani, seu filho mais velho, comandante. César, o rebento mais novo, destinado à vida na Igreja, não gostava do papel que lhe cabia. Após um jantar em família, matou Giovani e se desfez do corpo no Tibre. 


O pai descobriu que César assassinara o irmão e optou por findar as investigações para que o caso não se transformasse em escândalo. Antes de completar 18 anos, César Bórgia se tornou cardeal, chefe militar, líderdas tropas papais – e um frio assassino. Na prática, o braço armado da Igreja virou um instrumento de conquista e intimidação e César despontou como líder sanguinário, que não titubeava em resolver qualquer pendência de maneira sinistra.
Lascívia
Além de Pedro, Giovani e César, Rodrigo Bórgia já era pai de outros quatro filhos que moravam em Roma, de relacionamentos com mulheres diferentes. Para manter as amantes por perto, ordenava que casassem com funcionários da Igreja. Com isso, atenuava os boatos acerca da fama de mulherengo. 

Como Alexandre VI, manteve durante muito tempo uma relação com Giulia Farnese, amiga de sua filha Lucrécia, com quem começou a se engraçar quando a menina tinha 15 anos – os dois provavelmente tiveram uma filha. Os boatos diziam que o papa mantinha um grande leque de prostitutas à disposição para utilizar junto com os filhos, muitas vezes em orgias sob teto santo. As lascívias poderiam envolver até mesmo Lucrécia, que, num jogo incestuoso, manteria relações sexuais com seu pai e seu irmão César – contudo, isso jamais foi provado.
O que realmente se prova é como Lucrécia acabou utilizada como fantoche por César e Alexandre VI. Aos 13 anos, a garota foi obrigada a se casar. O marido era Giovanni Sforza, a princípio um aliado da família Bórgia. Logo ele se mostrou uma ameaça. Não demorou e surgiram pressões para que o casamento se encerrasse. Sforza até tentou resistir, mas, após César ameaçá-lo de morte, achou melhor aceitar a decisão. Alexandre VI garantiu que o casamento não havia sido consumado porque Sforza era impotente.
O segundo marido de Lucrécia não teve a mesma sorte. Quando a relação entre a menina e Alfonso de Aragão se tornou politicamente desinteressante, ele foi atacado por quatro homens na escadaria da Basílica de São Pedro. Conseguiu sobreviver, mas não por muito tempo. Enquanto se recuperava, foi estrangulado.
Todos sabiam que César Bórgia era o mandante do crime. Lucrécia ficou abalada, mas não havia espaço para lamúrias. As alianças e manobras políticas precisavam continuar. Aos 21 anos, a filha mais querida do papa estava indo para o seu terceiro casamento, com Alfonso d’Este, filho do Duque de Ferrara, com quem permaneceria pelo resto da vida.

FAMÍLIA DO BARULHO 
Quem eram os Bórgia que mandavam e desmandavam em Roma
 RODRIGO
  Rodrigo Bórgia nasceu em 1431, no reino de Aragão, na  Espanha. Aos     18 anos foi mandado para a península  italiana, onde estudou direito na   Universidade de Bolonha.  Aos 25, já era vice-chanceler do Vaticano,       cargo que lhe  rendeu muito dinheiro e onde se manteve até conseguir     se  eleger papa – na base de compra de votos. Teve  provavelmente oito   filhos com cinco mulheres diferentes.  Como papa, coube a ele dividir     as terras da América recém-descoberta entre Portugal e Espanha, por       meio da Bula Inter Coetera.
 CÉSAR
  Para alcançar seus objetivos ou honrar a família,  envenenava,                 assassinava e, se preciso, esquartejava a  vítima para que o crime se         tornasse mais cruel. Líder do  exército de Alexandre VI e apaixonado       por soluções bélicas  inventivas, teve Leonardo da Vinci como                   funcionário. Um  dos homens mais ricos da península italiana, casou-se     com  a princesa Charlotte, da França, e recebeu o título de duque de        Valentinois. César serviu de inspiração para Nicolau Maquiavel escrever O Príncipe.
 LUCRÉCIA
  Filha de Rodrigo com Giovanna dei Cattanei, suposta dona  de uma rede  de prostíbulos, Lucrécia inspirou diversas    manifestações artísticas.  Pinturicchio a retratou como  Santa Catarina de Alexandria. Depois de  deixar de ser    instrumento de manobra política de Alexandre VI e  César,  viveu com seu último marido e diversos amantes, algo comum às  nobres do Renascimento. Lucrécia teve 11 filhos e morreu quando dava à luz o último deles, em 1519, aos 39 anos.
Ponderação
“Acredito que as orgias e os incestos façam parte das lendas que buscam atacar os Bórgia, vindas dos inimigos da família. O papa tinha uma vida sexual sabidamente intensa, e algumas fontes sugerem que César tinha, sim, fixação pela irmã, mas, quando olhamos a trajetória de Lucrécia, é difícil acreditar em incesto”, diz Rodrigues. O especialista da Unicamp faz uma importante ponderação sobre a família Bórgia: “Os valores morais eram outros, temos que ter isso em mente para não cometermos o anacronismo de julgarmos o que aconteceu com os olhos de hoje. 

Determinadas práticas, como o assassinato e o envenenamento, eram usados por todos os tiranos da região”, afirma Rodrigues. “No caso dos Bórgia, o agravante foi a concentração de poderes seculares e religiosos. Esses fatos, aliados a produções artísticas exageradas, sem pesquisa histórica séria, faz com que o imaginário no entorno da família cresça bastante. Acredito que, se dermos os devidos descontos, eles cometeram, sim, atos condenáveis, mas numa situação em que agir dessa maneira, matar rivais, dar filhas a casamentos de interesse, vender cargos eclesiásticos, não era estranho. Eles não eram uma aberração dentro da realidade do Renascimento.”
Brisolara reforça esse ponto de vista: “Os assassinatos políticos acontecem até hoje”. Com exageros e anacronismos históricos ou não, ironicamente, o veneno, uma das armas dos Bórgia, talvez tenha sido o motivo que os levou à queda. Alexandre VI faleceu em 18 de agosto de 1503, aos 73 anos. 

Há duas versões: uma defende que ele morreu em decorrência da malária, enquanto outra garante que foi vítima de envenenamento por arsênico. Na ocasião, César estava gravemente doente – há indícios de que o assassino tentou matar pai e filho, que sobreviveu por ser mais jovem. Ao se recuperar, César enfrentou articulações políticas contrárias aos Bórgia. Logo suas cidades foram tomadas e as fontes de renda secaram. César foi preso e levado à Espanha, de onde fugiu e retornou à península italiana. Mas a vida clandestina não duraria muito. Depois de matar inúmeros inimigos, foi assassinado em 1507, aos 31 anos. Foi-se com ele o último resquício do grande poder dos Bórgia dentro da Igreja Católica.
SAIBA MAIS
Livros
Alexandre VI – Bórgia, o Papa Sinistro, Volker Reinhardt, Editora Europa, 2012
O Príncipe, Nicolau Maquiavel, L&PM Editores, 2001
Sancta Lucrezia dei Cattanei, Oscar Luiz Brisolara, Edição do Autor, 2013
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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Chegou momento de Deus revelar o Messias, afirma Rabino Chefe

Em uma história surpreendentemente sub-relatada, um dos rabinos-chefe de Jerusalém, o Rabino Shlomo Amar emitiu uma decisão na segunda-feira de que Deus deve trazer o Messias e acelerar a redenção final. A decisão foi entregue durante um encontro espiritual durante toda a noite entre rabinos do movimento Chabad-Lubavitch e uma gravação do momento foi postado no YouTube (em hebraico).

Nos dias que antecederam a decisão por Amar, perto de 6.000 rabinos e líderes da comunidade judaica participaram da Kinus Hashluchim anual (Conferência Internacional de Emissários de Chabad-Lubavitch) no Brooklyn, NY. O movimento Chabad-Lubavitch tem emissários que servem ao povo judeu em mais de 75 países ao redor do mundo. A cada ano, eles se reúnem em Nova York para a sua conferência anual.
Depois de concluídos os procedimentos oficiais da conferência, Amar e outros se reuniram na sede mundial da Chabad-Lubavitch, também no Brooklyn, NY, para uma farbrengen informal. A farbrenguen é uma confraternização no mundo Chabad-Lubavitch, onde pensamentos inspirados são compartilhados e melodias espirituais sem palavras, chamadas Niggunim, são cantadas. Os alimentos doces, vinho e outros itens são servidos frequentemente.
Durante esta reunião espontânea, e sem dúvida influenciado pelo sucesso inebriante da conferência que tinha acabado de concluir, Rabbi Berel Lazar, um dos dois principais rabinos da Rússia, lembrou Amar que há 25 anos, o Rebe, Rabi Menachem Mendel Schneerson, o último cabeça do movimento Chabad-Lubavitch, que faleceu em 1994, tinha pedido a Amar para emitir um din psak (decisão rabínica oficial) sobre a questão da redenção do povo judeu.
Vinte e cinco anos mais tarde, neste encontro, nas primeiras horas da manhã de 09 de novembro de 2015, Amar concordou que tinha chegado o momento de declarar que Deus deve acelerar a chegada do messias.
Na presença de dezenas de colegas e segurando as mãos dos dois homens sentados mais próximos a ele, Amar pronunciou:
rabbi
“Vimos por este meio governar de acordo com a demanda do público -, vemos o autor, mas não podemos ver o réu – que Deus Todo-Poderoso rapidamente porá um fim e revelará o Mashiach (Messias) na frente de nossos olhos na realidade”.
Apesar da hora tardia, sua declaração foi recebida com um caloroso “Amém!” da multidão. Imediatamente após, a multidão começou a cantar “Nós queremos Mashiach agora! Nós não queremos esperar! “Estas palavras vêm de uma música que as crianças Lubavitch são ensinadas a cantar a partir de uma idade muito precoce.
Como é possível que um rabino, mesmo um dos principais rabinos de Jerusalém, possa tomar uma decisão na lei judaica que obriga Deus? A agência de notícias Breaking Israel News colocou esta questão ao sênior Chabad Rabino Uri Kaploun que disse: “Tudo o que me vem à mente é o axioma em Chazal (os sábios judeus) que Lo BaShamayim Hi (que não está no Céu): uma vez que a Torá foi dada, a corte terrena faz com que as decisões, e o Tribunal Celestial está, por assim dizer, obrigado por eles”.
Fonte: BreakingIsrael – Tradução Dionei Vieira
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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Derrubando a farsa dos primeiros Papas com a Patrística


A Igreja Católica tem uma 
lista oficial com todos os papas da história, inclusive com a data em que cada um começou a reinar. Os catoleigos geralmente costumam jogar essa lista super confiável na cara dos protestantes para “provar” que a Igreja Católica Romana não foi criada por Constantino. A bem da verdade, ela não foi criada por Constantino, realmente. Dizer que Constantino fundou a ICAR é fazer uma enorme concessão aos papistas, pois a ICAR é uma construção bem posterior a Constantino. Nos primeiros séculos, a Igreja não era “Católica Apostólica Romana”, mas simplesmente “católica”, isto é, universal, em oposição a particular (romana).

A Igreja apenas tinha bispos romanos em Roma, assim como todas as outras igrejas católicas da época, que também tinham seus próprios bispos. Inclusive o próprio nome “papa” não tinha nenhuma relação específica com o bispo romano em particular. Durante os dois primeiros séculos, nenhum bispo (nem o de Roma) era chamado de “papa”. A partir do terceiro, há a primeira menção ao “papa”:

“Logo, depois de dizer algumas coisas sobre todas as heresias, acrescenta: Eu recebi esta regra e este modelo de nosso bem-aventurado papa Heraclas[1]

Só tem um probleminha: esse “papa Heraclas” nunca foi bispo de Roma! Ele era bispo de Alexandria! E naquela mesma época o título “papa” era dado a Cipriano, o bispo de Cartago e arquirival do bispo romano da época, Estêvão, a quem chamou de “amigo de hereges e inimigo dos cristãos”[2], e que não tinha a mesma honra de ser chamado de “papa”! Só mais tarde é que o bispo romano seria chamado de “papa”, como os demais bispos da época.

Mas vamos desconsiderar esse “detalhe”, assim como o fato de três papas disputarem o poder numa mesma época com todos se excomungando mutuamente, e sem falar dos vários antipapas. Vamos falar de coisa boa e tratar exclusivamente da lista oficial de bispos de Roma, para ver se ela tem fundamento histórico consistente.

Em Inácio, Clemente e Hermas

Ironicamente, as primeiras evidências históricas que temos parecem indicar que nem mesmo havia bispo romano no primeiro século até meados do segundo. As cartas de Inácio (68-107) são uma prova viva disso. Em todas elas Inácio fazia questão de mencionar o bispo da região a qual ele escrevia, e fazia isso muitas vezes. Mas justamente na carta à igreja de Roma, que supostamente teria um dos bispos mais importantes no governo, ele não o menciona sequer uma única vez!

-O bispo de Éfeso é citado por ele na Carta aos Efésios treze vezes: 1:3 (duas vezes); 2:1; 2:2; 3:2; 4:1 (duas vezes); 5:1; 5:2 (duas vezes); 6:1 (duas vezes); 20:2.
-O bispo de Esmirna é citado por ele na Carta aos Erminiotas nove vezes: 8:1 (três vezes); 8:2 (duas vezes); 9:1 (três vezes); 12:2.
-O bispo de Filadélfia é citado por ele na Carta aos Filadelfienses oito vezes: 1:1; 3:2; 4:1; 7:1; 7:2; 8:1; 10:2; e mais uma vez na saudação.
-O bispo de Magnésia é citado por ele na Carta aos Magnésios doze vezes: 2:1 (duas vezes); 3:1 (duas vezes); 3:2; 4:1; 6:1; 6:2; 7:1; 13:1; 13:2; 15:1.
-O bispo de Trália é citado por ele na Carta aos Tralianos nove vezes: 1:1; 2:1; 2:2; 3:1; 3:2; 7:1; 7:2; 12:2; 13:2.

Como vemos, ele costumava citar muitas vezes os bispos locais de cada cidade para quem ele escrevia, dizendo que os membros daquela igreja lhe deviam submissão e reconhecendo a autoridade daquele bispo local. Isso aconteceu diversas vezes em todas as epístolas que Inácio escreveu às outras igrejas, mas quando escreve aos romanos, que teoricamente teriam o maior de todos os bispos, o Sumo Pontífice, o bispo dos bispos, o bispo universal, o chefe de toda a Igreja apostólica... ele não o menciona nem uma única vez em toda a carta!

A palavra “bispo” aparece duas vezes na epístola dele aos romanos, mas nunca para se referir ao próprio bispo de Roma. Em 2:2 ela é uma referência ao bispo da Síria, que era ele próprio, e novamente em 9:1 ela se refere a ele mesmo, falando de sua igreja local, onde humildemente diz que, “em meu lugar, tem somente Deus por pastor”[3]. De duas, uma: ou o bispo de Roma era completamente irrelevante e de uma insignificância singular, ou então não existia bispo de Roma naquela época. De um jeito ou de outro, é um golpe de morte na pretensa supremacia do bispo romano (se é que ele existia!).

A outra evidência antiga de que não havia bispo romano no primeiro até meados do segundo século é a antiga obra chamada “O Pastor de Hermas”, composta na metade do segundo século. Hermas (70-155) era um cristão da comunidade de Roma e irmão do bispo romano Pio I. Quando o anjo lhe pede para ler seu livro para as lideranças que dirigiam a igreja de Roma, somente presbíteros são mencionados, e no plural:

“Tu o lerás para esta cidade, na presença dos presbíteros que dirigem a Igreja”[4]

Tudo indica que a igreja de Roma em seus primórdios era governada por um coletivo de presbíteros, sem uma liderança central de um bispo em particular. Na própria carta de Clemente aos Coríntios (95 d.C) ele não se identifica como “bispo” (e muito menos como “papa”). É por isso que muitos historiadores católicos e protestantes têm concordado que não havia a figura de um bispo romano central nos primeiros 150 anos de Igreja. O renomado historiador católico Paul Johnson, por exemplo, escreveu:

“Com efeito, provavelmente o primeiro bispo romano, em algum sentido significativo, foi Sotero (166-174)”[5]

John O'Malley, por sua vez, declara:

“Roma era uma constelação de igrejas domésticas, independentes umas das outras, cada uma das quais era livremente governada por um ancião. As comunidades, portanto, basicamente seguiam o padrão das sinagogas judaicas das quais se desenvolveram”[6]

Se isso é verdade, então toda a fábula romana em cima dos seus primeiros “papas” cai por inteiro, tal como em um efeito dominó. Você tira a base, e todo o sistema despenca sem precisar fazer esforço.

Em Irineu e em Tertuliano

É só a partir de Irineu (130-202) que vemos a primeira lista de bispos de Roma. Ela é muito parecida com a lista fornecida hoje pelos apologistas católicos, com exceção de um detalhe que é a coisa mais fundamental de todas: para Irineu, Lino foi o primeiro bispo de Roma, em vez de Pedro! Ele escreve:

“Os bem-aventurados apóstolos que fundaram e edificaram a igreja transmitiram o governo episcopal a Lino, o Lino que Paulo lembra na carta a Timóteo. Lino teve como sucessor Anacleto. Depois dele, em terceiro lugar, depois dos apóstolos, coube o episcopado a Clemente”[7]

Note que Irineu não fala de Pedro em particular, mas “dos apóstolos”, se referindo a Paulo e a Pedro. Uma vez que nenhum católico coloca Paulo na lista de “papas”, é óbvio que ele não estava falando de bispado aqui, na parte que se refere à fundação da igreja de Roma. Logicamente, portanto, o primeiro bispo de Roma na consideração de Irineu é Lino. Os apóstolos não eram bispos de Roma antes de Lino, mas apenas tiveram o papel de “fundar” a igreja, isto é, de estabelecer suas bases.

Note ainda que, para Irineu, Lino se tornou bispo romano enquanto Pedro e Paulo ainda estavam vivos, pois eles que teriam passado o episcopado a Lino. Isso se difere gritantemente da teologia católica, onde um papa só substitui outro depois que o outro morre (a não ser que renuncie, o que não é mencionado por Irineu em parte alguma). Após a morte do papa, os cardeais se reúnem para decidir quem vai substituí-lo. Contudo, na descrição de Irineu, os próprios apóstolos é que transmitiram o episcopado a Lino, o que obviamente implica que eles ainda estavam vivos por esta ocasião.

Mas por que Irineu cria uma lista de bispos, se no início a igreja de Roma era governada por um coletivo de presbíteros? Há muitas causas possíveis. Pode ser que ele estivesse honestamente enganado (por alguém). É possível que ele tenha escolhido alguns dos presbíteros romanos para estabelecer uma sucessão como “bispos”, a fim de combater a heresia gnóstica com mais credibilidade. E é possível também que ele tenha simplesmente inventado a lista para se adaptar às demais comunidades cristãs em geral (que tinham sua própria sucessão de bispos).

Vale ressaltar que Irineu era bispo de Lyon, que dependia do metropólito de Roma. Ou seja, Irineu estava sujeito ao bispo de Roma por jurisdição, e por isso não seria muito improvável que ele estabelecesse uma linha sucessiva para Roma assim como as demais igrejas possuíam.

Por bem ou por mal, o fato é que Irineu passa a ser uma figura crucial no surgimento do mito da sucessão episcopal romana, e sua muita credibilidade serviu para que muitos bispos depois dele tivessem a mesma opinião. Outrossim, fica evidente que ele nega que Pedro tenha sido o primeiro bispo de Roma, uma vez que ele menciona Lino como sendo o primeiro, e coloca Pedro ao lado de Paulo, não como “papa”, mas como um mero pregador, que estabeleceu as bases doutrinárias daquela comunidade local antes dela ter seu primeiro “bispo”.

Que a lista de Irineu era defeituosa, fica evidente a partir da leitura de seu contemporâneo Tertuliano (160-220), que viveu numa época em que a igreja de Roma já tinha bispos. Tertuliano não passou uma lista de sucessão, mas cita uma informação importante ao dizer que Clemente foi ordenado bispo por Pedro:

“A igreja de Esmirna registra que Policarpo foi posto ali por João, assim como a igreja de Roma diz que Clemente foi ordenado de modo semelhante por Pedro”[8]

Primeiro, é necessário esclarecer que o fato de Tertuliano dizer que Clemente foi ordenado bispo por Pedro não implica que ele cria que Pedro fosse o primeiro bispo de Roma, porque no mesmo contexto ele diz que Policarpo foi ordenado bispo de Esmirna por João, e João era bispo de Éfeso e não de Esmirna. Da mesma forma que Policarpo foi o primeiro bispo de Esmirna, Clemente foi o primeiro bispo de Roma (ao menos na visão de Tertuliano). Se assim não fosse, o “assim como” do verso ficaria sem sentido, pois estaria em um sentido distinto na comparação.

Note ainda que Tertuliano não estava dando uma opinião pessoal, mas estava citando aquilo que a igreja de Roma de sua época dizia naquela altura. Para a igreja de Roma de finais do século II, Clemente havia sido o primeiro bispo de Roma, ordenado por Pedro da mesma forma que Irineu havia dito que Paulo e Pedro haviam ordenado Lino. Os dados simplesmente não batem. Na visão católica atual, Pedro morreu na década de 60 d.C, e Clemente só foi ordenado bispo em 88 d.C, mais de vinte anos depois. No entanto, Tertuliano deixa implícito que Pedro estava vivo quando ordenou Clemente como bispo, porque ninguém ordena depois de morto.

Para piorar ainda mais as coisas, Tertuliano não diz que Pedro ordenou Lino, mas sim Clemente, como já vimos. Mas quem sucedeu Pedro na teologia católica foi Lino, e Clemente só veio depois de Lino. Tertuliano simplesmente ignora Lino, como se não existisse! A partir destes dados totalmente conflitantes do final do segundo século d.C podemos perceber como a lista católica é um remendo tardio e posterior, feito para mascarar a fragilidade do argumento.

Em Eusébio

Eusébio (265-339), o historiador eclesiástico do século III, foi fortemente influenciado por Irineu, razão pela qual as listas conferem. No entanto, mais uma vez, falta a presença de Pedro como o primeiro bispo de Roma. Para Eusébio, Lino foi o primeiro bispo de Roma, fato este que ocorreu após o martírio de Pedro e Paulo:

“Depois do martírio de Paulo e de Pedro, Lino foi designado como primeiro bispo de Roma. Ele é mencionado por Paulo quando escreve de Roma a Timóteo, na despedida ao final da carta”[9]

Observe ainda que, para Eusébio, Lino só foi designado “primeiro bispo de Roma” depois da morte de Paulo e Pedro, o que contradiz expressamente Irineu, que, como vimos, cria que Lino foi ordenado bispo de Roma enquanto Paulo e Pedro ainda viviam.
Ainda na visão de Eusébio, Clemente havia sido o terceiro (e não o quarto) bispo de Roma:

“Paulo também atesta que Clemente - instituído terceiro bispo da Igreja de Roma - foi seu colaborador e companheiro de luta”[10]

Portanto, para Eusébio:
 Lino
 Anacleto
 Clemente

Novamente, é Lino que é considerado o primeiro bispo de Roma, em vez de Pedro. Não é sem razão que o historiador Peter De Rosa afirmou:

“Pedro só chegou a Roma nos últimos anos da sua vida, e a sua função de bispo não passa de uma lenda. Prova disso é que seu nome não aparece nas listas mais antigas da sucessão episcopal”[11]

Não vou me alongar mais sobre Eusébio porque já escrevi muito sobre ele em meu artigo "Pedro nunca foi bispo de Roma", que conta com muitas outras refutações, especialmente com base na História Eclesiástica deste bispo de Cesareia.

No Catálogo Liberiano

O Catálogo Liberiano (354) é o primeiro documento da história da Igreja que coloca Pedro como sendo o primeiro bispo de Roma (isso quase trezentos anos depois da morte de Pedro!). No entanto, o volume gigantesco de contradições com os outros documentos da época e inclusive com a própria lista oficial de papas oferecida hoje pela Igreja Romana deveria ser o bastante para que qualquer católico tivesse vergonha em ter a cara de pau de citar o Catálogo Liberiano como qualquer tipo de “prova” ou evidência histórica.
O documento é tão risível que cita dois Anacletos, ou seja, duplica o indivíduo!
Ele diz:

Pedro - 25 anos, 1 mês, 9 dias. Ele esteve nos tempos de Tibério César e Caio e Tibério Cláudio e Nero, junto do consulado de Minucius e Longinus [30 d.C] ao de Nero e Verus [AD 55]. No entanto, ele morreu com Paulo no 3º dia antes das calendas de julho, como o Imperador Nero sendo cônsul.

Lino - 12 anos, 4 meses, 12 dias. Ele esteve na época de Nero, do consulado de Saturnino e Scipio [56] ao de Capito e Rufus [67].

Clemente - 9 anos, 11 meses, 12 dias. Ele estave nos tempos de Galba e Vespasiano, do consulado de Tracalus e Italicus [68] ao de Vespasiano pela 6ª vez e Tito [76].

Cleto - 6 anos, 2 meses, 10 dias. Ele estava nos tempos de Vespasiano e Tito e o início de Domiciano, do consulado de Vespasiano pela 8ª vez e Domiciano pela 5ª [77] ao de Domiciano pela 9ª vez e Rufus [83].

Anacleto - 12 anos, 10 meses e 3 dias. Ele estava no tempo de Domiciano, do consulado de Domiciano pela 10ª vez e Sabino [84] ao de Domiciano pela 17ª vez e Clemente [95].

Evaristo - 13 anos e 7 meses, 2 dias. Ele estava nos últimos tempos de Domiciano, e de Nerva e Trajano, do consulado de Valente e Vero [96] ao de Gallus e Bradua [108].

Note que ele cita um suposto “Cleto” que sucede Clemente, e depois deste tal “Cleto” aparece seu irmão siamês, o “Anacleto”. Já na lista da Igreja Romana consta apenas o Anacleto como sucedendo diretamente a Clemente. Ou seja: o Catálogo Liberiano simplesmente inventou um sujeito que não existe! Que crédito devemos dar a um catálogo que comete um erro dos mais crassos e esdrúxulos, como esse? Se esse catálogo chega ao ponto de inventar um suposto Cleto que nunca existiu, que crédito ele tem para dizer sem sombra de dúvida que Pedro foi o primeiro bispo de Roma? A resposta óbvia é: nada.

Mas os problemas não param por aqui. George Edmundson discorreu sobre os outros erros grosseiros do tal catálogo:

"As mortes de São Pedro e São Paulo foram apresentadas como tendo ocorrido em 55 d.C. Clemente sucedeu Lino em 67 d.C e Anacleto, o verdadeiro sucessor de Lino, está duplicado e segue Clemente, primeiro como Cleto e então como Anacleto. A morte de Clemente foi preservada como tendo ocorrido dezesseis anos antes de ele ter se tornado bispo de acordo com a data mais aceita que recebemos. E os erros não se restringiram aos pontificados do primeiro século. 

A fonte utilizada por Hipólito não é precisa sequer sobre o Papa Pio I que, nas palavras preservadas do Fragmento Muratori, ‘..viveu muito recentemente, em nosso próprio tempo’. Hegésipo e Irineu, ambos estando em Roma por algum tempo após a morte de Pio, apresentam a ordem de sucessão como sendo Pio, Aniceto, Sotero e Eleuterio. O Catálogo transforma Pio em sucessor de Aniceto ao invés de seu predecessor”[12]

E é com base em documentos fajutos desse tipo que os apologistas católicos fazem a festa em cima dos leigos em seus sites inescrupulosos...

Em Jerônimo e em Agostinho

Jerônimo (347-420), já no quinto século, quando a tese de que Pedro foi o primeiro bispo de Roma já estava popularizada, reconheceu que a igreja da época tinha divergências quanto a Clemente. Enquanto os orientais criam que Clemente havia sido o quarto bispo de Roma, os latinos achavam que ele era o segundo!

"Clemente, de quem o apóstolo Paulo escreve aos Filipenses diz: ‘Com Clemente e outros de meus companheiros de trabalho, cujos nomes estão escritos no livro da vida’ (cf. Fl 4:3), o quarto bispo de Roma depois de Pedro, se de fato o segundo foi Lino e o terceiro Anacleto, embora a maioria dos latinos pensam que Clemente foi o segundo depois do apóstolo”[13]

Convenhamos: para não saber se o cara foi o segundo ou o quarto bispo – o que também altera a ordem dos demais – a lista de bispos nesta época não era muito diferente de um chutão na prova do ENEM. E para chutar o balde de uma vez, na lista de Agostinho (354-420) vemos o extraordinário: Clemente é o terceiro bispo de Roma![14] Sim, eles não sabiam se Clemente era o segundo, o terceiro ou o quarto bispo... mas querem que você confie neles, obviamente!

Conclusão

Não há nada que seja mais fantasioso e questionável do que a lendária “lista de papas” oferecida pela Igreja Católica Romana. Em primeiro lugar, nenhum bispo romano dos primeiros séculos era propriamente um “papa” (no sentido romano atual do termo). Nos escritos do primeiro século até a metade do segundo, não há o menor indício da presença de um “bispo” de Roma. Ao contrário: Inácio, que costumava citar muito os bispos locais de cada igreja, ignora por completo o bispo de Roma na carta a Roma, e Hermas afirma explicitamente que havia uma pluralidade de presbíteros que presidiam a igreja de Roma, em vez de um único bispo no comando.

Quando a lenda dos bispos romanos do primeiro século começa a existir, só vemos contradições nas mais diversas listas fornecidas. Para Irineu, Paulo e Pedro ordenaram Lino como bispo de Roma enquanto ainda viviam. Para Eusébio, o primeiro bispo de Roma foi Lino, mas só foi ordenado depois que eles morreram. E para Tertuliano, Pedro na verdade ordenou Clemente para o episcopado! Para o Catálogo Liberiano, existia um tal de “Cleto” que supostamente antecedeu Anacleto e que ninguém ficou sabendo. Inventaram um bispo fantasma. Mataram Paulo e Pedro doze anos antes. E para piorar, não sabiam se Clemente era o segundo, o terceiro ou o quarto bispo de Roma!

Mesmo com tantas contradições e divergências, o apologista católico fanático vai continuar batendo na tecla quebrada e insistindo que existe uma lista muito concreta e confiável de bispos romanos, que de forma bonitinha e organizada vai de Pedro até o papa Francisco. E mesmo que você prove com a História que crer nisso é como crer em Papai Noel, ele continuará insistindo. Afinal, ele é apologista católico. Não tem mais o que fazer.



[1]
 História Eclesiástica, Livro VII, 7:4.
[2] Epístola 74 de Cipriano.
[3] Inácio aos Romanos, 9:1.
[4] Visões 8.3.
[5] História do Cristianismo, p. 78.
[6] John O'Malley. A History of the PopesSheed & Ward, 2009, p. 11.
[7] Contra as Heresias, Livro III, 3, 2-3.
[8] Prescrição contra os Hereges, c. 32.
[9] História Eclesiástica, Livro III, 2:1.
[10] História Eclesiástica, Livro III, 4:9.
[11] Peter De Rosa, “Vicars of Christ”.
[12] George Edmundson. The Church in Rome in the First Century: Lecture VII, 1913.
[13] Dos Homens Ilustres, c. 15.
[14] Agostinho, Epístola 53.

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